domingo, 26 de julho de 2009

SIMPLICIDADE


E, caindo por terra, ouviu uma voz que lhe dizia: Saulo, Saulo, por que me persegues? Ele disse: Quem és, Senhor? Respondeu o Senhor: Eu sou Jesus, a quem tu persegues. (Romanos 9.4-5)

Já vi muita gente ser humilhada por causa da vaidade de líderes que exigiam ser chamados por suas identidades eclesiásticas (pastor, presbítero, diácono, professor, seminarista, etc.) por parte de outros cristãos. Parece que as pessoas acreditam que é na imposição de um título que está a sua autoridade. As pessoas podem saber o que fazemos no Reino dos Céus, tão certo como sabem o que fazemos em nossas profissões. Não há nada errado nisso. O que é biblicamente desnecessário e até contrário, são essas intoxicações vaidosas existentes entre irmãos. Quando a igreja é comparada a uma família é sempre da seguinte maneira: o pai é Deus, e os filhos são os cristãos. Não importa se esses irmãos são novos ou velhos. São irmãos. Talvez agora faça sentido o que o Senhor Jesus disse para seus discípulos, “Vós, porém, não queirais ser chamados Rabi, porque um só é o vosso Mestre, a saber, o Cristo, e todos vós sois irmãos.”[1] Já falei sobre isso aqui no blog, no artigo VAIDADE BOBA II.

O Comentário Bíblico de Matthew Henry, reconhecido internacionalmente como o maior comentário bíblico devocional já escrito, registra o seguinte sobre o assunto dessas vaidades eclesiásticas:

“O orgulho era o pecado amado reinante entre os fariseus, o pecado que mais facilmente os assaltava, e contra o qual o Senhor Jesus tinha aproveitado todas as ocasiões. Para aquele que é ensinado na palavra, é digno de elogio que honre ao que ensina; mas para o que ensina é pecaminoso exigir essa honra e encher-se por isso. Quão contrário ao espírito do cristianismo é isto! Ao discípulo coerente de Cristo resulta penoso ser colocado nos lugares principais, mas quando se olha em volta na igreja visível, quem pensará que esse é o espírito requerido? Resulta claro que alguma medida deste espírito anti-cristão predomina em toda sociedade religiosa e no coração de cada um de nós.[2]

A autoridade de uma pessoa não está em seu título, mas no bom desempenho da função para o qual foi designado nesta vida. Entre irmãos na fé não há necessidade de formalismos. Qualquer consideração de honra deverá ser com penosidade para se assumir pois ao olhar para seu professor o aluno verá a tamanha humildade e simplicidade.

A frase de Jesus a Paulo poderia ser qualquer outra como: “Sou o teu Senhor”, “Sou o teu Messias” ou “Sou o Teu pastor”, porém ouvimos apenas a simplicidade de “Eu sou Jesus, a quem tu persegues”.
Luiz Augusto

[1] Evangelho de Mateus 23.8
[2] Trecho do Comentário Bíblico de Matthew Henry sobre Mateus 23.1-12 - Matthew Henry nasceu em 18 de outubro de 1662. Foi ordenado na Igreja Presbiteriana Britânica, onde serviu como pastor em Chester de 1687 a 1712.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

O exemplo do Evangelista


Sempre falei a respeito da necessidade do preparo acadêmico por parte daqueles que presidem na Igreja. É certo que muita gente não possui recursos ou acesso a cursos teológicos, embora hoje em dia esse abismo tenha diminuído muito. Isso é até entendível e desculpável. O que é indesculpável mesmo e que não dá para entender são aqueles discursos de que para o serviço cristão não é necessário o estudo.

Quis colocar aqui a citação do livro Crer é também pensar, do Dr. John Stott, considerado o maior expositor bíblico do século XX, sobre o maior evangelista de todos os tempos, Billy Graham, como testemunho de um dos maiores pregadores que o mundo já viu. O Dr. Graham, que já se referiu a John Stott como sendo o “maior clérigo do século XX”, fez uma declaração humildade e convidativa para os ministros da causa cristã. Veja a citação de Stott – que já foi capelão da rainha da Inglaterra:

“Sou muito grato ao Dr. Billy Graham por ouvi-lo dizer, numa preleção em Londres dirigida a cerca de 600 ministros, em novembro de 1970, que se tivesse que recomeçar o seu ministério de novo, estudaria três vezes do que estudou. “Tenho pregado muito e estudado tão pouco”, disse ele. No dia seguinte ele me contou uma afirmativa feita pelo Dr. Donald Barnhouse: “Se me fossem dados apenas três anos para servir ao Senhor, passaria dois desses três anos estudando e me preparando”.[1]

Se Billy Graham foi humilde para dizer isso, deveríamos nos envergonhar em passar a imprensão de que somos competentes demais ao pensar que não devemos continuar a cultivar nosso estudo.

Luiz Augusto
*A foto é do rev. Billy Graham.

[1] STOTT, John R. W. Crer é também Pensar. A importância da mente cristã. Trad. Milton Azevedo Andrade. Sexta impressão. ABU Editora. São Paulo, SP. 1994.

domingo, 19 de julho de 2009

Idolatria nossa de cada dia


Li um artigo do pastor da Igreja Presbiteriana da Barra da Tijuca, rev. Antonio Carlos intitulado “A Reforma Litúrgica”. O artigo mostrava vários pontos que, caso fossem seguidos, levaria a Igreja a prestar um culto mais harmonioso com a realidade das Escrituras. Decidi escrever sobre um dos pontos que o referido pastor citou. Nele dizia o seguinte:

“Nenhuma exigência que a Bíblia não faz deve fazer parte do culto a Deus. A Confissão de Westminster ensina que idolatria não é apenas adorar a um deus falso, mas adorar ao Deus verdadeiro de uma forma diferente daquela que é prescrita na sua Palavra.”

Quanto equívoco de nossa parte. Levando em conta essa afirmação, podemos enumerar os erros gritantes, ou melhor, idólatras em que temos caído. Quantas vezes nos dirigimos para o culto de maneira egoísta e formal, sem entendermos a razão real para o qual nós nos dirigimos a Igreja: Prestar culto a um Deus Santo. Quantas vezes cantamos como se estivéssemos mais preocupados com a nossa aparência e a opinião dos outros a nosso respeito. E quando o valor das vestes estão acima da sinceridade do coração e a piedade interior. O culto verdadeiro é aquele em que nos preocupamos com nossa aparência decente sim, mas também com a mudança da “roupa de dentro”. Muitos que lutam contra a idolatria iconoclasta (imagens) deveriam também se perguntar se não estão também caindo nas contradições idólatras de suas vidas. Idolatramos os cargos denominacionais como se esses fossem a condição indispensável ao serviço cristão, esquecendo que a pregação mais importante que temos a apresentar é a nossa vida e para isso não é necessário títulos. A adoração devida é aquela que não termina depois que o culto na igreja acaba. Podemos dizer que todas as vezes que a Palavra é desprezada e os seus desígnios não são ensinados a povo, isso também é idolatria.

Muitos crentes não sabem nada sobre as doutrinas básicas do Cristianismo, e isso também é idolatria. Sabemos muito sobre outros assuntos: vitórias, conquistas, campanhas, etc. No entanto não sabemos identificar quais virtudes temos como fruto do Espírito em nossas vidas e quais precisamos amadurecer e como fazer para que isso aconteça. Idolatria é ignorar ano após ano aquelas coisas essenciais a fé como: bondade, piedade, sinceridade, modéstia, igualdade, generosidade, etc. Se o problemas fosse só as imagens, as coisas já estavam resolvidas. Ser fiel a Deus é mais que evitar se dobrar a uma imagem, é permitir que sejamos parecidos com seu filho Jesus. É sermos sua imagem.
Luiz Augusto

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Ovelha - objeto alheio

"Simão... tu me amas?... apascenta as minhas ovelhas."
A frase de Jesus já foi pregada tantas vezes mas parece que ainda não foi bem compreendida. Quantos testemunhos já ouvimos daqueles que são preteridos, ou seja, deixados de lado, pelos pastores de certas comunidades. São principalmente aqueles que por suas realizações modestas não chamam a atenção dos pastores locais porque aparentemente não possuem nada a oferecer.

E aqueles que por possuirem recursos financeiros são alvos de superestima e objetos de tratamento especial? Qual a semelhança entre esses membros de igreja? É que ambos são objetos de descuido pastoral enquanto são apenas números, ou seja, estão classificados entre os que podem e tem algo a oferecer enquanto que outros não podem e nada possuem para oferecer. Será que essas pessoas foram confiadas a determinado líder para que este pudesse decidir e fazer o que bem entender com suas vidas? Afinal a quem essas pessoas pertencem? Aí está a frase de Jesus para esclarecer isso de uma vez por todas.

Embora os cristãos sejam metaforicamente e coletivamente chamados de “rebanho” e individualmente de “ovelhas” e “cordeiros”, são assim identificados como objeto de posse da divindade. A maioria dos pastores agem como se o rebanho ou a ovelha fosse seu objeto de posse crendo que possuem o direito de agir livremente como que alguém que nunca fosse prestar contas. Por isso essas acepções dentro das comunidades de fé. A metáfora pastoral é perfeita para o uso das relações entre o líder e o povo, menos por um detalhe. Enquanto que os pastores de ovelhas têm posse de suas ovelhas, o pastor cristão tem a responsabilidade de cuidar daquilo que não é seu.
O povo é rebanho sim, mas de Deus. É ovelha sim, mas de Cristo e não deles. Que os pastores protestantes se lembrem disso.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Pensar - a ação que leva a resultados - II


A primeira parte desse artigo mostra o exemplo do perigo ameaçador para o Nazismo que foi a presença dos pensadores. O mesmo acontece com o Cristianismo. Não há interesse por parte de muitos lideres que haja pensadores na Igreja. Eis algumas razões:

1. Os pensadores ameaçam seus impérios. Quando os cristãos são levados a pensar, tornam-se libertos do domínio daqueles que os manipulam e exploram.

2. Os pensadores os obrigam a estudar. Muitos líderes são ociosos e não se importam com a qualidade mas quantidade (numérica e financeira) de sua comunidade; por isso acham que qualquer coisa pode ser dada ao povo, como se ele fosse qualquer coisa. Os pensadores os coagem a levar substância para o púlpito e edificar os santos.

3. Os pensadores não se conformam com aqueles equívocos estabelecidos como verdades que muitos líderes incapazes aprovam. A verdade torna-se a condição indispensável para a fé e o padrão para a conduta (ortopraxia), obrigando os líderes analisarem suas proposições, a mudarem seus discursos, combatendo assim as falácias doutrinárias.

4. Os pensadores não negociam suas convicções. O que torna os líderes indesejosos de relacionar-se com pensadores, pois estes, uma vez persuadidos pela verdade, lutam até o fim por uma reforma.
Luiz Augusto

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Pensar - a ação que leva a resultados - I


Transcrevo aqui um trecho do livro Filosofia para Iniciantes do grande teólogo e filósofo cristão R. C. Sproul, onde este conta a breve história de um professor que varria as ruas nos Estados Unidos e que, por ser um pensador, foi expulso da Alemanha na Segunda Guerra Mundial:

“Achei muito estranho que um homem cuja principal ocupação é varrer ruas pudesse ser tão versado no campo abstrato da filosofia. Toda aquela conversa me pareceu estranha. Eu tinha de lhe perguntar como sabia tanto sobre filosofia. Sua história era de fazer chorar.
Meu novo amigo era da Alemanha. Obtivera o grau de Ph.D. em filosofia e havia sido professor de filosofia em Berlim. Quando Adolf Hitler chegou ao poder, os nazistas não se contentaram em encontrar uma “solução definitiva” para judeus e ciganos. Eles também tentaram eliminar intelectuais cujas idéias não combinassem com os “valores” do Terceiro Reich. Meu amigo perdeu seu cargo. Quando arriscou falar contra os nazistas, sua esposa e seus filhos foram presos e executados. Ele escapou da Alemanha apenas com a filha mais nova.... Meu amigo, todavia, estava com uma vassoura nas mãos porque vinha de uma cultura que dava grande valor à filosofia. Sua família fora destruída porque Hitler sabia que idéias são perigosas. Hitler temia tanto as conseqüências das idéias do meu amigo que fez tudo o que podia para eliminá-lo – juntamente com suas idéias.[1]


[1] Filosofia para iniciantes 10-11

domingo, 14 de junho de 2009

O ministro ideal segundo George Whitefield


Realmente parece que não se fazem mais ministros como antigamente. Quer dizer, como dos séculos dezesseis a dezenove. Homens que tinham motivações e Teologias bem diferentes dos dias atuais. Whitefield que foi um desses grandes ministros deixou sua opinião sobre isso, como registra essa frase.


"Deus não pode enviar a uma nação ou a um povo maior bênção do que dar-lhes ministros fiéis, sinceros e retos, assim como o maior anátema que Deus possa dar ao povo deste mundo é dar-lhes guias cegos, não-regenerados, carnais, mornos e ineptos".

Rev. George Whitefield* (1714-1770)

Príncipe dos pregadores ao ar livre

* Evangelista avivalista no período do "Grande Despertamento" (Great Awakening, 1739-1745), um movimento cristão que combinava evangelismo e reforma social.

terça-feira, 21 de abril de 2009

IGREJA - O ASSUNTO DE EFÉSIOS


Tenho examinado minuciosamente a Epístola de Paulo aos Efésios. É obra espetacular que revela o valor da Igreja. Transcrevo parte do livro do Dr. Broadus David Hale, Introdução ao Estudo do Novo Testamento, que tanto expressa o valor desse escrito paulino para a fé.


Se fosse realizada uma eleição para decidir qual seja a maior das cartas de Paulo, Romanos provavelmente seria escolhida; mas, a Epístola aos Efésios seria uma segunda, muito próxima. Esta epístola foi acertada­mente denominada a "Rainha das Epístolas". João Calvino dizia que ela era sua favorita. Quando João Knox estava moribundo, em sua cama, ele freqüentemente pedia que os "Sermões Sobre a Carta aos Efésios", de Calvino, fossem lidos para ele. Samuel Coleridge, um grande poeta e filósofo do século passado, chamou-a de a mais divina composição da literatura.
A foto é da Briarwood Presbyterian Church - BIRMINGHAM, ALABAMA.

PREPARE-SE PELO AMOR DE DEUS


Assumir um púlpito para pregar é tarefa das mais urgentes, e por sua importância, das que mais necessitam de aprendizado.

Ninguém se atreve a realizar tarefas sem estar qualificado para desempenhá-las. Ninguém se aventura a defender sua própria causa diante de um tribunal de justiça, argumentando com um juiz. Para isso escolhem os melhores juristas e advogados para defender seus direitos. Tampouco são capazes de realizar cirurgias, tanto nos outros como em si mesmos. Ao contrário, se entregam aos cuidados dos profissionais de saúde acreditando nas destrezas dos que possuem habilitação para o tratamento médico. Jamais se arriscariam a pilotar uma aeronave com trezentas pessoas a bordo, levando-as de um aeroporto a outro sem antes aprenderem o ofício da aviação. Para as questões de ordem humana as pessoas se sentem incompetentes e se submetem àqueles que dominam seus ofícios ou estudam quando querem exercer determinada profissão, mas para o serviço da fé, aqueles que abrangem os assuntos de ordem eterna, se sentem prontos, capazes e idôneos sem nenhum tipo de preparo. Com isso empobrecem o valor da tarefa cristã assumindo que esta pode ser realizada de qualquer maneira, enquanto que as demais tarefas da vida que são, do ponto de vista humano, passageiras, devem ser realizadas com preparo e grande empreendimento de tempo. São mais cuidadosos com suas profissões do que com seus ministérios. Bem disse Richard Baxter ao povo de Kiddermister:

“Se vós apenas desejásseis obter o conhecimento de Deus e das coisas celestiais tanto quanto desejais saber exercer vossa profissão, já teríeis vos lançado a este empreendimento, sem vos importardes com o custo ou as dificuldades, até que o tivésseis obtido. Mas vós dedicais de bom grado sete anos a aprender a profissão, e nem um dia, em cada sete, quereis entregar ao aprendizado diligente das coisas concernentes à vossa salvação.”[1]
[1] STOTT, John. O Perfil do Pregador. 4 ed. São Paulo: Sepal, 2000. p. 32


(Este é o trecho de uma apostila de homilética que preparei e que pretendo um dia lançar como livro) Luiz Augusto

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Convencer x informar

Certa vez, conversando com uma colega teóloga sobre as dificuldades do ensino, por muitas vezes ensinarmos o que é correto embora as pessoas nos critiquem e julguem, ouvi dela o que viria guardar em meu coração como regra que me aliviaria em cada situação em que me encontrasse como mestre na Igreja de Jesus: “O nosso dever”, disse ela, “não é o de convencer mas o de informar.” Isso foi o bastante para tranqüilizar minha mente quando as pessoas não aceitarem aquilo que lhes forem ensinado. Que informemos sim, mas com qualidade e responsabilidade bíblicas, extraindo o máximo possível das Escrituras para não acontecer que ensinemos aquilo que achamos mas aquilo que é, e se depois disto ainda formos mal compreendidos, que possamos descansar pois informamos com responsabilidade. Deus nos ajude nesta tarefa.

domingo, 17 de agosto de 2008

VAIDADE BOBA II

Prosseguindo em nosso raciocínio, basta utilizar as Escrituras Sagradas para observar que nenhum cheiro de vaidade é encontrado entre aqueles chamados filhos de Deus. Não podemos imaginar os profetas se apresentando diante dos filhos de Israel dizendo: "olá, meu nome é profeta Elias"; ninguém se chama profeta. Também não podemos imaginar um sacerdote se apresentando numa conversa informal dizendo: meu nome é "sacerdote Eli". O nome dele é Eli ou sacerdote? Agora imagine nos tempos atuais duas pessoas conversando, sendo uma delas um pastor prostestante e a outra um membro confesso de uma denominação protestante dizendo: "olá, meu nome é pastor João", e o outro diga "olá, meu nome é ovelha Pedro, bééééé!" O direito é o mesmo não? Enquanto um é o pastor o outro é uma ovelha. O problema é que ninguém se apresenta como ovelha, não é? Agora vejamos como a Bíblia trata aquele que é digno de toda a honra a glória e o louvor, Jesus Cristo nosso Senhor.
Os relatos sobre ele se encontram no Novo Testamento, com ênfase biográfica nos Evangelhos de Mateus, Marcos, Lucas e João. Colocarei apenas alguns textos de cada um desses livros com um breve comentário após cada um deles. Será suficiente para o fundamento aqui proposto.

Mateus 26:50
Então disse Jesus à multidão: Saístes, como para um salteador, com espadas e varapaus para me prender? Todos os dias me assentava junto de vós, ensinando no templo, e não me prendestes.
Mateus 27:11
¶ E foi Jesus apresentado ao presidente, e o presidente o interrogou, dizendo: És tu o Rei dos Judeus? E disse-lhe Jesus: Tu o dizes. (momento apropriado para que Ele dissesse: Você sabe com quem está falando?)
Marcos 10:47
E, ouvindo que era Jesus de Nazaré, começou a clamar, e a dizer: Jesus, filho de Davi, tem misericórdia de mim. (repare que nenhum tipo de título foi usado pelo necessitado na tentativa de envaidecimento. No entanto quando usa filho de Davi era para reconhecê-lo como o Messias de Javé)
Marcos 11:33
E, respondendo, disseram a Jesus: Não sabemos. E Jesus lhes replicou: Também eu vos não direi com que autoridade faço estas coisas. (repare que ao ser indagado por sua autoridade, não tenta intimidar com nenhum tipo de título)
Lucas 8:28
E, quando viu a Jesus, prostrou-se diante dele, exclamando, e dizendo com grande voz: Que tenho eu contigo, Jesus, Filho do Deus Altíssimo? Peço-te que não me atormentes. (até os espíritos temem a Jesus mas nada foi registrado pelos evangelistas na tentativa de forçar o uso de títulos antes do nome de Jesus)
Lucas 19:35
E trouxeram-no a Jesus; e, lançando sobre o jumentinho as suas vestes, puseram Jesus em cima.
(Aqui poderia no mínimo o escritor dizer: "puseram o REI Jesus em cima"
João 1:42
E levou-o a Jesus. E, olhando Jesus para ele, disse: Tu és Simão, filho de Jonas; tu serás chamado Cefas (que quer dizer Pedro). (mais uma vez nenhum tipo de título foi usado para se referir ao filho de Deus)
João 4:50
Disse-lhe Jesus: Vai, o teu filho vive. E o homem creu na palavra que Jesus lhe disse, e partiu.
(poderia estar aqui, SENHOR Jesus, ou DOUTOR Jesus, ou PROFESSOR Jesus, ou MESTRE Jesus, ou ainda PASTOR Jesus.)
A pergunta que quero fazer é: Há alguém mais digno de títulos que Jesus? E ele se preocupou em usá-los? Ele foi pastor? Então porque não usou no mínimo esse título enquanto nesse mundo?
Está mais que provado que Cristo Jesus é o maior pastor que já existiu. Sobre isso evoco alguns testemunhos:


Marcos 6:34
E Jesus, saindo, viu uma grande multidão, e teve compaixão deles, porque eram como ovelhas que não têm pastor; e começou a ensinar-lhes muitas coisas.
Marcos 14:27
E disse-lhes Jesus: Todos vós esta noite vos escandalizareis em mim; porque está escrito: Ferirei o pastor, e as ovelhas se dispersarão.

João 10:11
Eu sou o bom Pastor; o bom Pastor dá a sua vida pelas ovelhas.

João 10:14
Eu sou o bom Pastor, e conheço as minhas ovelhas, e das minhas sou conhecido.

João 10:16
Ainda tenho outras ovelhas que não são deste aprisco; também me convém agregar estas, e elas ouvirão a minha voz, e haverá um rebanho e um Pastor.
Usar esses nomes de pastor, mestre, evangelista, etc, é apenas para uma questão organizacional e não relacional. Não é necessário usar isso para o dia a dia. Afinal ninguém anda por aí dizendo: "meu nome é eletricista Pedro", ou "meu nome é pintor Pedro", "segurança Pedro", "bancário Pedro", etc. Mas quando se pergunta a profissão ou atividade, aí sim se diz o que se faz.
Cito agora trechos do discurso de Jesus para os fariseus que expressam o desej0 Dele para os seus servos-discípulos:

Mateus 23. 1-2

1
Então falou Jesus à multidão, e aos seus discípulos,
2
Dizendo: Na cadeira de Moisés estão assentados os escribas e fariseus.
Mateus 23.6-12

6
E amam os primeiros lugares nas ceias e as primeiras cadeiras nas sinagogas,
7
E as saudações nas praças, e o serem chamados pelos homens; Rabi, Rabi.
8
Vós, porém, não queirais ser chamados Rabi, porque um só é o vosso Mestre, a saber, o Cristo, e todos vós sois irmãos.
9
E a ninguém na terra chameis vosso pai, porque um só é o vosso Pai, o qual está nos céus.
10
Nem vos chameis mestres, porque um só é o vosso Mestre, que é o Cristo.
11
O maior dentre vós será vosso servo.
12
E o que a si mesmo se exaltar será humilhado; e o que a si mesmo se humilhar será exaltado.
Isso também é o Evangelho de Cristo. Que obedeçamos e analisemos se já não nos afastamos desta simplicidade que há em Cristo Jesus.

quinta-feira, 22 de maio de 2008

FRASE DE A. W. TOZER

No início desse blog eu disse que apresentaria argumentos que mostram que nós, os cristãos, nos afastamos da simplicidade que há em Cristo Jesus. O artigo VAIDADE BOBA é um bom exemplo. Continuarei a segunda parte desse artigo (que está editado abaixo); Apenas quis publicar essa frase de A. W. Tozer que representa tão bem o pensamento correto diante da vaidade de alguns líderes quanto as suas investiduras eclesiais, que sem perceberem, se afastam da simplicidade de Cristo. Compensa meditar nessa verdade ensinada por Tozer.

“Enquanto a liderança espiritual não voltar a ser ocupada por homens que preferem a obscuridade, continuaremos a presenciar uma constante deterioração da qualidade do cristianismo popular, e possivelmente chegaremos ao ponto em que o Espírito Santo, entristecido, se retirará, como a glória de Deus se apartou do templo.”
Dr. A. W. Tozer (1897 - 1963)
Um profeta do século XX*
Citação do livro: Por que tarda o pleno avivamento? - de Ravenhill
*Um profeta do Século XX foi como A. W. Tozer foi chamado em sua vida. Por 31 anos, Tozer foi pastor da Southside Alliance Church de Chicago, onde sua reputação como homem de Deus teve repercussão por toda aquela cidade.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

VAIDADE BOBA


Quando penso na frase de Paulo: "quem é Paulo, quem é Apolo?" não posso deixar de ver uma simplicidade pouco encontrada em nossos círculos regiliosos, que é tão pedante. Basta reparar nas biografias de grandes pregadores que quando seus nomes aparecem, como Wesley, Finney, Moody, Edwards, Bunnyan, Billy Graham e outros, não há nenhuma preocupação com títulos eclesiásticos. O sociólogo Max Weber diz por exemplo que a hierarquia impõe distâncias e logicamente no cristianismo não há hierarquia. Há sim, posições de respeito mas sem o exibicionismo discrepante do Evangelho de Cristo. Quando Paulo escreve à Igreja de Corínto havia grupos que estavam com preferências por Apolo, que era exímio nas Escrituras, e outros por Paulo, que fora o fundador daquela comunidade em Corínto. Podemos reparar que ele não menospreza a cristandade de Apolo, o que não teria lógica alguma, nem tampouco, se utiliza de vaidade titular. Isto é comprovado da seguinte maneira: ele poderia dizer: "Quem é O APÓSTOLO PAULO e quem é Apolo?" Mas não há essa intenção na mente de Paulo. Até porque a palavra apóstolo não cabia aqui. Alguns podem dizer que devemos dar honra a quem honra mas, o título eclesiástico não é indício de honra alguma. A palavra apóstolo vem do grego "apostello". "apo" é uma preposição grega que significa em seu sentido original "de" "afastar-se" e "stello" está no sentido de "distância, enviar"... (continua)

sábado, 12 de abril de 2008

UM POUCO OCUPADO

Tenho estado um pouco ocupado nestes dias, razão pela qual não estar publicando estudos. Brevemente retornarei. Aguardem.

quarta-feira, 19 de março de 2008

MELHOR MÉTODO DE ENSINO

Na época em que eu estava no seminário teológico, uma aluna, de um ano anterior ao que eu estava, me perguntou qual era, em minha opinião, o melhor método de ensino - ela estava fazendo um trabalho para o seminário - respondi: -teoria e prática. Fundamentei isso no exemplo de Cristo que, jamais foi centralizador e egoísta em realizar, Ele somente, todas as atividades do ministério. Ele não apenas fazia mas deixava fazer. Em resumo, teoria e prática.
Como seria bom se os líderes cristãos não apenas quisessem ser parecidos com Cristo quando o assunto é pregar para multidões e curar enfermidades, mas que também seguissem o exemplo de serem descentralizadores ministeriais. Há muita gente morrendo ministerialmente.

domingo, 16 de março de 2008

PROGRAMA PALAVRA PLENA


Tenho acompanhado já há muito tempo (uns dez anos mais ou menos) o ministério do Rev. Antonio Carlos Costa, pastor da Igreja Presbiteriana da Barra da Tijuca. Considero um dos principais pensadores do nosso país e um dos poucos que, como teólogo, transmite com integridade a pura mensagem bíblica. Deus o continue ajundando em seu profícuo ministério.

Vale a pena conferir

REFORMA ECLESIOLÓGICA URGENTE!


Paulo, o apóstolo aos gentios, escreveu aos coríntios de seu século, mostrando que havia dentro de si uma preocupação: de que seus irmãos da cidade de Corínto se apartassem "da simplicidade que há em Cristo Jesus." - 2 Co 11.3. Que diria Paulo se visse o que nós temos visto e ouvido no fim destes "últimos dias"!

Que possamos meditar nessa possibilidade tão fácil e que muitos pensam não estar incluídos: APARTAR DA SIMPLICIDADE DE CRISTO. Que simplicidade é esta? Disto falaremos adiante.

Por enquanto basta, com um pouco de razoabilidade, pensarmos onde Cristo realmente era simples e logo descobriremos que o mal que tanto temia Paulo, já está há muito no seio da Igreja de Cristo Jesus.